Rute a filha do Sgt Rubens Almeida

Rute Maria Silva de Almeida, funcionária pública aposentada, filha de Maria Artur de Almeida e Rubens Almeida, 3º Sargento da Brigada Militar, ambos já falecido.  Rute tem uma irmã Vera Lucia e um irmão, Sergio Roberto, este (Falecido).10982457_10207873390852958_4534071507018746400_n

Seu pai o Sgt Rubens Almeida passou pelo 1º BPM e 4º RPMon. Neste OPM tirando, por muito tempo, o serviço na rede de segurança do Presídio Central; como segurança no trem pagador e no Aeroporto Salgado Filho. Todos os tios cunhados de seu pai foram da BM, Antão Lemos da Silva, 1º Sgt da Brigada Militar, falecido (Trabalhou no serviço de Subsistência), Belmiro Miranda da Silva, 3º Sgt da Brigada Militar, (1º BPM), falecido e o Otacilio Pereira Nunes (Cb da BM), falecido.

A vida em família era normal, mas cheia de dificuldades, pois seu pai como soldado da Brigada Militar,tinha um salário muito baixo. Assim, sua mãe trabalhava em uma padaria para apoiar o sustento dos quatro filhos. “Quando minha mãe chegava do serviço passava e engomava todo o uniforme do meu pai, ele vestia orgulhoso e recebia vários elogios pelo capricho”, disse Rute, que se lembra, quando pequena, das diversas vezes que viu seu pai ajudando sua avó, até que um certo dia em que o vô veio a falecer.

 

Como uma grata recordação diz Rute: “Meu pai era severo e se saísse da linha, o cinto pegava, mas acho que ele estava certo, pois crescemos todos pessoas do bem, ele era do tipo que literalmente um olhas bastava para sabermos o que era para fazer”. Mas, o expressa com aprovação.

Nascida em 28 de fevereiro de 1959, natural de Porto Alegre, Rute completou seu primário no Colégio Ensino Fundamental Candido Portinari, o 2º ano do ensino médio no Whiston Churchill e, concluiu, na Escola Protásio Alves. Na sua infância a lembrança é, das reuniões na sua casa que seu pai fazia com os amigos dele, seus tios moravam perto, sempre unidos e juntos, era uma grande família. Rute ressalta sua amiga de infância que também e sua colega na Brigada Militar, Iara Moreira Lamartine, “Morávamos vizinhas e trabalhávamos juntas, somos comadres, nos aposentamos e convivemos até hoje”.

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Houve, também, no ano de 1961, um período quando seu pai ficou nas barricadas, perto do Palácio Piratini. Rute diz que muitos falam que criança não se lembra, mas ela se lembra de tudo. Lembra de ir com sua mãe ver se seu pai precisava de alguma coisa, e os parentes de militares que tiveram que lidar com as brizoletas, um tipo dinheiro que os militares recebiam. Não lembro de detalhes pois era muito pequena”.                                                                                                                                                      Ocorreu em outra época, um preso fugiu dentro do elevador do Fórum, sobre a guarda de seu pai e ele foi preso, incomunicável relata Rute que sua mãe chorava e ia ao quartel, pedir para vê-lo, até em função dos filhos. O comandante se sensibilizou pela situação e acabou deixando que ela o visse.

Diz Rute: “Por incrível que pareça tinha orgulho de entrar na penitenciaria para falar com meu pai, pois via o respeito nos olhos dos presos, e eles faziam retratos com carteiras de cigarro e vendiam, e cheguei a ganhar um de presente, e o achava lindo. Naquela época a prisão não era o inferno que virou agora”, Relata Rute.

Quando tinha 13 anos de idade, foi indicada por seu tio Antão, a para trabalhar com contrato celetista, na loja de Serviço de Subsistência da Brigada Militar (CSM Sub), na época de suas férias da escola, somente. Entrou em janeiro de 1973 e completou 14 anos em fevereiro. Era só para adquirir experiência.  Ficou lá, por 26 anos, até se aposentar proporcionalmente. Fez curdo de datilografia e básico de computação, sempre trabalhando e estudando.

Seu chefe na Loja da BM, como se chamava, esse estabelecimento do CSM Sub, onde é hoje o Centro de Obras da BM (CO/BM), era o Ten Anibal e em seguida entrou Cel Palma. Um dia, o Cel Palma me chamou e disse, que levantasse os pés para caminhar, pois não dava para ficar o dia todo batendo o meu tamanco dentro da loja “Ele tinha razão” relembra Rute.                                                               Encontrei muita rigidez, mas também aprendi muito, tive bons e maus momentos, como todos tem quando ficam muito tempo num serviço como eu fiquei, conheci pessoas mais humanas e outras, nem tanto… Mas fiz amizades para a vida inteira…Deixei, nestes anos todos, somente três ou quatro pessoas esquecidas no tempo.

Na época adorava o serviço policial, mas não tinha policial feminina, ainda. Entrou como funcionária mesmo, hoje, chamado de servidora civil. Quando começou a entrada de mulheres, para o policiamento, já estava cansada, já tinha filhos e a idade, não permitia mais que ingressasse. Mas sempre foi essa sua paixão.

Viúva, mãe de dois filhos, Paulline de 30 anos e Leonardo de 27, atualmente Paulline é formada em Técnico em Administração de Empresa e tenta retomar a faculdade que teve que interromper, por motivo de saúde; o Leonardo é Técnico em Informática e trabalha nessa área. “Eles cresceram comigo trabalhando dentro do quartel e, como me separei muito cedo, a Paulline tinha somente cinco anos, Leonardo três, meus amigos são todos conhecidos e amigos deles também, pode até que alguns eles não lembrem mas conviveram muito”.

O tempo no serviço na subsistência, foi um tempo de muito aprendizado, ela diz que começou muito menina, aprendeu a ter responsabilidade, lealdade e discernimento, fez excelentes amizades e experiências profissionais. No serviço de Intendência (CSM Int), quando este incorporou a Subsistência, ela já mais adulta, sentia-se responsável. A experiência triste, que em passou foi a morte de seu pai, mas ali se surpreendeu com o apoio dos chefes e colegas. Um momento muito difícil para Rute, trabalhou no Supermercado da Brigada Militar, na Avenida Cel Aparício Borges, conhecido por Brigadão, hoje um Detran, sendo depois transferida para sede do Centro de Suprimento e Mecanização (CSM), onde foi trabalhar no Depósito – D2.

Mas, foi no 9º BPM, seu último OPM, onde passou os melhores e piores momentos de sua vida; seu casamento, o nascimento dos seus filhos, uma doença chamada “Alopécia Areta”, que fez cair todo o seu cabelo; sua separação; a morte de sua mãe; Mas, acima de tudo a compreensão, incentivo e amizade de seus colegas e amigos, “recebi muito suporte e vou ser eternamente grata, até hoje quando passo por ali tenho essas lembranças”.

Rute soube dar a volta por cima, em todos os obstáculos que com o decorrer da vida vieram a aparecer, recebeu um elogio, em um evento, no qual tinha que selecionar colegas para participar do aniversário da Zero Hora, quando com elas fez uma ala da paz no carnaval e conseguiram atingir o objetivo do pessoal.

Sobre a Associação Pró-Editoração à Segurança Pública – APESP, foi o lugar que acolheu e ajudou-a a complementar seu salário em um momento difícil. Rute fala que nunca vai esquecer esta associação, pois através dela conheceu várias pessoas, que acolheram seus filhos e em todo tempo que, lá trabalhou como autônoma foi muito respeitada e tratada com todo o carinho, como se fosse uma família.

Saudosa e feliz Rute narra: “Fato marcante, foi os 15 anos de minha filha que foi feito no Clube dos Sub Ten e Sargentos da Brigada Militar, onde todos os convidados compareceram. Eram chefes e colegas e ex-colegas. Foi um dia muito especial para mim”.

Rute deixa um pensamento à reflexão: “Hoje em dia, os valores estão pouco respeitados; tem muita violência, muita maldade, poucos amores e amizades verdadeiras; Infelizmente, nossos militares não estão sendo valorizados como deveriam ser e como meu pai e meus tios eram, apesar do parco soldo. Eu sentia orgulho, quando menina, em vê-los desfilando no 7 e  20 de setembro…Hoje, infelizmente, a Brigada Militar não é a mesma. Falta consideração e respeito aos jovens militares dessa grande corporação”.

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Publicado por em nov 4 2016. Arquivado em 1. Brigadianos, Cap Bessi, HISTÓRIAS DE VIDA, Literatura. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Comentários e pings estão desabilitados.

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