Paulo Tavares: jornalista da antiga na cobertura policial

Um dos últimos remanescentes do jornalismo gaúcho com o velho traquejo da crônica policial

O jornalismo entrou por acaso na vida de Paulo Roberto Tavares. Até ir fazer a inscrição para o vestibular, em 1984, a intenção era Direito, mas na hora de escolher, um prospecto da faculdade falava da Faculdade dos Meios de Comunicação Social (Famecos) e isso foi, segundo ele, o que bastou para escolher a profissão que segue há mais de 30 anos. Tavares é repórter policial no Correio do Povo desde 2008, quando saiu da chefia da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSP). E, ressalta ele, não se arrependeu de trilhar o caminho, que até então nem cogitava. Pouco tempo depois de formado, pelas mãos da jornalista Luciamem Winck, colega de faculdade, foi para a Editoria de Polícia de Zero Hora, fazendo o plantão da madrugada. Algo que o ajudou muito na carreira, dando a necessária experiência. “A Lu foi minha madrinha tanto na ZH como no CP”, conta. “Sempre foi ela que me trouxe para a redação.”

 Os quase cinco anos de ZH, relembra, parecem fora da realidade, comparando com a cobertura policial atual. Conforme Tavares, na época era obrigatório levar a foto do local, com cadáver e tudo. Se isso não ocorresse, se a equipe perdesse o local, era branco na certa. Na época – 1988 -, o chefe de reportagem era Milton Galdino e, se não tivesse o local, mais o boneco (foto 3×4 do defunto), era uma cobrança incrível. E na madrugada, ressalta Tavares, os assassinatos acontecem seguidamente, em especial nos finais de semana. E no período os repórteres cobriam de Guaíba até Viamão, pois não havia correspondentes. E, se ocorresse algo muito grave, um grande acidente, por exemplo, tinha a orientação de ir ao local, mesmo que fosse em uma cidade que não ficasse na Grande Porto Alegre. “A mudança de mentalidade foi algo salutar, considero uma evolução no jornalismo policial”, analisou. “No ano passado, encontrei a repórter fotográfica Dulce Helfer, na ocasião ela ainda estava na ZH, e comentamos justamente esta mudança de abordagem”.

Após o período de ZH, Tavares foi para assessoria de imprensa. E o primeiro emprego nessa área foi em uma instituição que não tinha a mínima ligação com a área em que atuava. Ele foi para o Conselho Estadual de Educação, onde ficou até aparecer uma chance no Correio do Povo. No CP, para variar um pouco, foi designado para fazer a cobertura na área policial. Sob a chefia de Luiz Gumarães, Tavares foi escalado para matérias, que abalaram a opinião pública. Da época, 1997, lembra da cobertura de um crime cometido em Estância Velha, quando fizeram uma enucleação (tirar os olhos cirurgicamente) de um agricultor, chamado Olívio. Segundo ele, foi uma semana inteira indo e voltando à Estância Velha, vendo no que dava. Até hoje não ficou esclarecido o que ocorreu e nem foram apontados culpados. Outra cobertura da época foi o Caso Trajano, um tratador de cavalos que matou quatro pessoas de uma mesma família e as queimou em um sítio em Eldorado do Sul. “Tempos depois, saí do CP”, recorda. “Deixei de fazer uma pauta na praia e levei o cartão vermelho, sendo que a pauta era sobre guarda-sóis e estava chovendo. Coisas que acontecem.”

 Um dos períodos que Tavares lembra com muito carinho foi o de sua passagem, como assessor de imprensa, pela Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), na gestão de Djalma Gautério. Ele recorda que já havia trabalhado com Gautério quando o Detran foi transformado em autarquia. Foi um período,ressalta ele, de grande aprendizado e muita agitação. Quando Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, ía ser transferido (uma das várias vezes) para o semiaberto, o telefone funcional não parou de tocar. Tavares recorda que atendeu a última ligação às 5h. Era uma emissora de TV querendo gravar uma passagem, por volta das 6h, com o superintendente ou com o porta-voz, no caso ele. “Foi uma época muito boa”, comenta. “Até porque o Djalma Gautério, em muitos aspectos, é parecido com o primeiro-ministro britânico da década de 1940, Winston Churchill. Na vitalidade para o trabalho que ia madrugada adentro, na estratégia e por aí vai”.

 Atualmente, Tavares está no Correio do Povo, cobrindo Polícia. Sob a chefia de Jurema Josefa, a volta a reportagem policial foi reencontro com velhos amigos, em delegacias e batalhões. Mas, ressalta, não faz somente reportagem policial. No ano passado, foi a Arequipa, no Peru, representando o jornal. Além de várias matérias escritas em outras editorias. Porém, o foco continua sendo o policial. “É como se fosse um vício”, compara. “Você começa e fica difícil largar, assim sinto a reportagem policial, apesar das inúmeras limitações que hoje existem para um trabalho nessa áre

 

 

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Publicado por em nov 11 2012. Arquivado em 2. Não policiais, HISTÓRIAS DE VIDA. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Comentários e pings estão desabilitados.

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