O TABU político Cabo Valdeci

O assassinato da reputação dos legalistas – 25 anos

I parte 

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Após os fatos da morte de Valdeci e de seu enterro não houve uma pressão dos policiais militares ao governo por garantias contra as ações do MST. A própria mídia deixava em aberto o fato como uma consequência da repressão às manifestações trabalhadoras. Houve um engessamento social que perpassava os poderes públicos e entorpeceu a própria sociedade. Nossa conduta em não prantear nosso herói devidamente, é o melhor indicador dessa questão. As diversas manifestações nestes 25 anos foram mínimas, em relação ao valor do fato. E, algumas, bastante sabotadas como é o caso do monumento existente, escondido entre árvores, na esquina das avenidas Silva Só com Ipiranga, ao lado do ginásio da BM, único local na época permitido pelo município administrado pelo PT. Duvidam? Perguntem ao proponente da iniciativa, que deveria ser no Centro da Capital, vereado João Dib. Mas, o histórico de todas as homenagens nestes 25 anos, fica para uma próxima edição.
Os legalistas não se rebelam com o descumprimento da lei, mas se revoltam e se sentem humilhados. Assim, se sentirão historicamente os policiais militares gaúchos, com aquela ação do MST. Nesse momento o MST era gaúcho e já começara a se estender a todo o Brasil.
Mas, o assassinato de reputação, que é um termo em moda, está bem adequado, ao que se sucedeu no assassinato por degola, do então Sd Valdeci Antunes, promovido a Cabo – post Mortem. A degola ocorreu no ponto mais conhecido, pela liberdade de expressão, da Capital do Estado. O palco foi a rua dos Andradas, esquina com avenida Borges de Medeiros, tanto que historicamente, já se denominava de esquina democrática, quando a degola foi praticada. Foi um grupo, de integrantes do Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra – MST, que em 8 de agosto do ano de 1990, realizou a barbárie.
Naquela época, o MST era, no Estado do Rio Grande do Sul, a grande obra do Partido dos Trabalhadores e, já conquistava um espaço de aceitação forte na sociedade. E foi essa aceitação que liberou aos atos criminosos deles, uma tolerância desmedida, inclusive, no descumprimento de leis. É bem nesse momento histórico que, absurdamente, proprietários rurais perderam o direito de defender sua propriedade, com o emprego do esbulho possessório. O recurso jurídico foi estancado e caiu em desuso, se tornando qualquer tentativa, nesse sentido, um pejo com direito de crítica social. O MST estava no auge e o PT surfava nas suas ondas.
Foi esse estado social que propiciou a barbárie de mais de meia dúzia de integrantes do MST atacarem, gratuitamente, um patrulheiro da BM, que estava naquele local, sem qualquer ligação com os fatos que se passaram na Praça da Matriz, em frente do Palácio Piratini, momentos antes. Nesse local (praça) há mais de uma semana o movimento mantinha acampamento e ameaçou invadir poderes legislativo e executivo. Rechaçados pela tropa de choque saíram em debandada na direção de seus protetores e mentores no planejamento dessas suas ações, à época.
Mas, o mais chocante foram as ações do prefeito Olívio Dutra e do vice Tarso Genro na defesa dos assassinos. Pressionavam o governo do Estado, e este ao órgão de segurança, na liberação do cerco à prefeitura, onde estavam homiziados os facínoras. O comandante da tropa que fazia o cerco ao prédio da prefeitura da Capital era o, então, Major Nivaldo Fraga Pereira, comandante do 9º BPM, batalhão a que pertencia o Sd Valdeci.
Naquela época, as comunicações não eram tão efetivas quanto hoje, o celular não era a base central de decisões e precisou linha empresta da própria prefeitura. Consta do depoimento, desse oficial, em sua História de Vida publicada pelo Correio Brigadiano e constante na Internet no endereço sobre ter recebido ordem do comandante da Brigada Militar, da época para liberar o cerco. Eis os termos: … o “comandante-geral, por orientação do governador, estava determinando que fosse retirado o cerco”. http://www.abcdaseguranca.org.br/?p=2536
Ele mesmo depôs, que se rebelou a pseuda ordem de Pedro Simom, governador do Estado, e manteve o cerco. Como o título de sua história de vida, no Correio Brigadiano: “Cel Nivaldo Fraga Pereira fez a “desobdiêcia Legal”. Ele teria dito: “Nem o Collor me tira daqui”. “O governador assinou minha nomeação para o cargo no 9º BPM. Ele pode me exonerar, expedir outra portaria e aí, manda esse outro oficial, me substituir aqui” Ele já havia tentado fazer contato com o prefeito e foi obstaculizado. Tentou então, com o vice-prefeito e também, não foi recebido. Enquanto isso orientado pelos dois mandatários municipais, Olívio e Tarso, os 170 colonos tomaram banho, rasparam as barbas, cortaram os cabelos e trocaram de roupas. Essas autoridades eram legítimas para até, acolher seus companheiros de invasões e destruições no Interior de nosso Estado, como outros governantes o fariam, mas não para burlar a lei. Assim, Olívio e Tarso, sendo este segundo, um excelente jurista, cometeram um grave crime contra a administração da justiça, que não foi nesse sentido entendido pelas autoridades judicias da época. Eles intencionalmente descaracterizaram e dificultaram a identificação os criminosos.

eles se negaram a entregar os criminosos à autoridade competente.
Mas porque isso poderia acontecido? Por que eles tinham, já nessa época, o poder de assassinar reputações. E foi isso que fizeram ao Valdeci e a toda o sentimento brigadiano nestes últimos 25 anos.
Mas o momento político, hoje, é outro, apesar de eles ainda se manterem no poder. Faz 25 anos que mantemos engasgadas, as verdadeiras palavras, de nosso sentimento a serem dirigidas para estes políticos, corruptos por todas as maneiras. Pois o que fizeram naquele dia e as mentiras que apregoaram sob este fato, desde então, agora começarão a serem desfeitas.
O próprio Cel Nivaldo foi promovido a Ten Cel e pediu sua transferência para a reserva. O prefeito que não o recebeu, Olívio Dutra, foi governador do Estado. E Tarso Genro, também, em um período intercalado, após Olívio. Em seu depoimento Fraga mostra que era retaliado a partir da prefeitura de Porto Alegre. Chegando estes mandatários ao governo do Estado, o melhor que faria era ir, embora, sem esperar a última promoção. Outra reputação assassinada.
E o curso de ações, basicamente negadas, ao culto do herói, Cabo Valdeci, não se esgota só na esfera pública, na institucional, atingindo a própria vida privada do herói. Na esfera pública o herói foi renegado, na institucional criou-se um contraditório, que por pouco não se tornou o vilão de sua própria morte. E, por consequência, isso foi na esfera familiar, que rejeitou sistematicamente, contato com a Brigada Militar. No entanto, o herói tem uma filha com 25 anos de idade, quem não conheceu o pai e, recebeu essa controversa de informações. Outra reputação assassinada. Por isso, Um o TABU político chamado herói Cabo Valdeci deverá ser muito estudado no meio acadêmico brasileiro.

 

A partir desta edição 234 haverá um espaço permanente sobre o Cabo valdeci

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Publicado por em ago 21 2015. Arquivado em ARTIGOS & COLUNAS, Fatos históricos, Jorn 234, Rep Especial. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Comentários e pings estão desabilitados.

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