Casal “Juarez & Rose” os mensageiros de livros aos policiais

Há anos nos quartéis, delegacias e faculdades, além da APM e a Acadepol, como agentes culturais

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O Casal Jurares & Rose é um conjunto do cotidiano das escolas policiais seja a Academia de Polícia Militar, a Escola de Bombeiros ou as Escolas de Santa Maria e Montenegro, pela Brigada Militar, ou Academia de Polícia Civil pela PC e mesmo a Escola do Serviço Penitenciário – ESP. Ele com uma docilidade e disponibilidade para conversas sobre os mais diversos assuntos que terminam sempre em uma citação prática de algo no interesse, daquele policial, em obra que ele faz referência e normalmente se encontra à venda. Já ela, apesar de tão ou mais falante que ele, é de rápida decisão e com uma dinâmica de indução dos clientes aos assuntos de seu interesse.
Do ponto de vista estético eles são opostos, pois o Juarez, sempre foi magro, mas agora um pouco mais, em razão de um problema de saúde que vem enfrentando. Já a Rose, mais baixa que ele, sempre teve suas divergências com a balança. São duas figuras públicas importantes ao sistema educacional da segurança pública, que recebem do poder público apoio para a jornada que se propuseram em intermediar – o livro, sempre que um policial dele, necessite.
Neste levantamento, Juarez elencou seus dados para que a redação compilasse, mas Rose, tascou o verbo de sua vida. O mais importante é o carinho com que ambos se referem publicamente.

A história de Juarez

Juarez Christofari é uma figura invulgar. Não gosta de ser chamado, reconhecido ou de qualquer forma tratado, como vendedor de livros. Ele se auto-denomina de Agente cultural. Sempre está acompanhado da Rose, desde que não estejam dividindo visitas simultâneas a OPMs da Brigada Militar ou Delegacias de Polícia, em especial, na Academia da Brigada Militar – APM, ou na Academia da Polícia Civil – Acadepol. Rose é sua esposa, vendedora, administradora, parceira e, as vezes, chefe.
Juarez é filho de Jayme Dias Christofari e de Deli Dutra Christofari, o pai comerciante e a mãe cabeleireira, tem os irmãos Jairo,Jesus André e Fabiane. Juarez é oriundo de uma família que sempre lutou com muita dificuldade financeira, mas sempre unidos e recebendo bons e duros exemplos do caráter íntegro de seu pai.
Nasceu em 05 de maio de 1961, nesta Capital, indo viver sua primeira infância, em Pelotas, posteriormente, retornando a viver, em Porto Alegre. Sua formação no ensino fundamental deu-se na Escola Estadual Pedro Osório em Pelotas e Grupo Escolar Winston Churchil, em Porto Alegre. Ele fala de sua infância e sonhos de futuro: “Da minha infância lembro que ter a felicidade era coisa mais simples e menos complexa como é hoje. Nosso vídeo game era jogar taco. Nossa interação sem imaginar internet era nos agruparmos na esquina de casa a noite para ouvir os últimos k7 que o coleguinha mais abastado levava a tiracolo em seu gravador. O sonho de consumo não era tablete ou um celular de ultima geração. Ter uma US Top e um Kichute nos fazia dono do mundo.”
Conclui sobre sua adolescência: “A adolescência foi onde penso ter errado ao abandonar os estudos e me jogar no trabalho. Eram tempos em que não se tinha a oportunidade e variedade de cursos profissionalizantes como se tem hoje. E alem disso fui um jovem muito imediatista e desconectado com o futuro. Mas nada em nossa passagem terrena é em vão. Neste caminho juntei bons exemplos e os maus tomei como lição sempre.”
Passou a trabalhar por diversas áreas comerciais e arremata: “Mas nenhuma me encantou e cativou como o livro. Mesmos nas horas difíceis é dele que tiro tudo o que tenho de energia. Nada mais me gratifica do que acompanhar um aluno soldado avido pelo saber, ir aos poucos galgando graduação e você acompanhar esta jornada com o auxilio do ensino através dos livros, este insubstituível instrumento de conhecimento. Mais gratificante ainda é durante um curso de sargento um dos alunos reconhecer em você o amigo que o auxiliou para que o mesmo ali estivesse. “

Considera-se um afortunado pelo casamento, em 31 de Março de 1984, com a Rosemara Cunha Christofari e diz: “Sou grato pois DEUS me supriu com o que tinha de melhor entre suas filhas. Uma especial companheira, amiga, consoladora, conselheira e grande orientadora de minhas expectativas e projetos. Amo você minha esposa.”
Juarez é um colorado Light, cujo hobby é ler. Quanto à sua preferência musical, assim expressa: “Qualquer uma do rei do soul Barry White. Foi o ícone de minha geração e muito embalou nossas reuniões dançantes.“ Quanto a livros todos os livros de Alfred Hitchcock. Quando pensa que já leu todas as suas coletâneas sempre acha mais uma, em algum sebo ou biblioteca.
Recorda que quando trabalhou, nos anos 80, na extinta Sharp recebeu vários destaque por excelência em vendas, mas nunca ligou muito para isto. Desde o fechamento das cotas impostas. Como diz ele: “coisa terrível cada vez que fechava uma cota eles aumentavam mais ainda a meta – canibais, até mesmo por fechar o comprometimento de grupo filial”.
Há alguns anos atrás recebeu um e-mail de um soldado de Guaíba, relatando suas dificuldades em adquirir material para estudo e de seu sonho em se tornar um sargento. Sonho esse que o soldado nutria e se achava em momento desfavorável financeiramente. De pronto tudo que Juarez tinha a seu alcance forneceu, pois tinha certeza estar investindo em um pai de família que tinha um sonho, dar uma vida melhor a sua família. Passado o tempo recebeu outro e-mail ( que tem guardado até hoje com orgulho) me agradecendo o auxilio, pois o mesmo havia passado no concurso com boa pontuação. Segundo Juarez, o homem não nasce para viver nas trevas da ignorância e cabe a todos o auxilio mútuo “aos irmãos de boa vontade”. E assim, em suas palavras: “ para sermos instrumentos do progresso divino”.

Seu pensamento concluindo é: “Sempre trabalhar naquilo que te da prazer, pois nem um dia é igual ao outro e toda a hora DEUS te dará oportunidade de engrandecimento pessoal e espirital, basta ter sensibilidade de captar e guardar para si estas lições diárias. E por fim, sempre ser grato aqueles que de uma forma ou outra te auxiliam em sua jornada profissional. Porque são estas pessoas o seu melhor instrumento de trabalho. Nada fazemos sozinho.

O depoimento de Rose

Sou Rosemara Cunha Christofari, nascida em Porto Alegre aos 10 min do dia 12 de março de 1963, minha família morava no Bairro Glória à rua intendente Azevedo, onde tenho as melhores recordações da minha infância, estudei por 8 anos no Colégio Nossa Senhora da Glória. Em 72 mudamos para cidade baixa, onde residimos por 10 anos. Meu pai Pedro Avanil Leivas Cunha era Eletricista e técnico em refrigeração, possuía uma oficina mecânica na Lima em Silva, oficina esta que muitas vezes fazíamos nossas reuniões dançantes quando adolescente. Minha mãe, Jalmira Beatriz Rodrigues Cunha, trabalhou para o Pão dos Pobres no prédio onde residíamos. Em 74 nasceu meu único irmão Fabiano Rodrigues Cunha, temos uma diferença de 11 anos e por isso praticamente o criei, digo que após seu nascimento larguei minhas bonecas e passei a brincar apenas com ele. Como eu era filha única sempre tive o desejo de ter um irmão e pedia a meus pais. Aos 4 anos meu pai sentou-me no seu colo (a imagem vem a mente nitidamente) e disse-me:
– Filha quando tu rezar pede para o Papai do Céu te dar um maninho que ele te atende.
A partir daquele dia todas as noites eu rezava pedindo um maninho, quando ele nasceu meu pai colocou-o nos braços e disse:
– Tai teu maninho que tu tanto pediu!
Em 76, no dia 29 de fevereiro conheci um menino, bonito, todo metido, um sorriso que iluminava e a primeira vista me apaixonei. No dia 02 de março começamos a namorar, eu com 13 anos e ele 15, namoramos, 5 anos. No dia 12 de março de 81 ficamos noivos e durante 3 anos planejamos nosso casamento que se realizou no dia 31 de março de 1984.
Construímos nossa vida com dificuldades, oriundos de famílias pobre, morávamos de aluguel e muitas vezes nossos salários não dava para muitas coisas, mas sempre fomos muito caseiros, gostamos de assistir filmes juntos e conversar.
Quando meu marido foi trabalhar com vendas, por ele ser trabalhador, dedicado e competente, em 1 ano fez seu nome no mercado, vindo a ser um dos melhores vendedor da Sharp S.A e ganhado alguns prêmios, sendo a maioria em dinheiro o que deu-nos a oportunidade de melhorias e a compra do nosso primeiro carro um fuquinha bege que demos o apelido de Sóso. Nesta época ano de 89, passei a trabalhar com marido, fazíamos viagens e eu administrava seu faturamento. Iniciei “uma poupança” a qual se tornou em 96 a casa que residimos até hoje e que considero meu paraíso particular.

Em 91 mudamos o ramo e através de um pequeno investimento entramos no mercado de livros jurídicos e para educação, atuávamos junto à escolas e faculdades.
A partir de 2001, atuando no mercado jurídico através de uma amiga, fiz minha primeira exposição na Acadepol (Academia de Policia Civil) para uma turma de Delegados.
Em 2003 ainda no mercado de livros meu marido começa a trabalhar para Polost Editora com livros técnicos e operacionais para segurança pública, onde atuamos até hoje, junto a Brigada Militar, Policia Civil e Susepe.
Em 2006 havia muitos cursos em andamento na BM, CSPM, CBA, CTSP e CBFPM em várias unidades no RS e então eu fui trabalhar com marido novamente.
Em 2012 por uma necessidade de material que estava em falta no mercado, tivemos a ideia de lançar um livro, POPM-Prática Operacional Policial Militar de autoria de Marcos Paulo Bastos Silveira (Sgt Bastos do 17º BPM) e para tanto criamos a LISEG-Livros para Segurança Pública e nos preparamos para uma segunda obra em 2014 do livro Negociação Policial de autoria do Major Francisco Lannes Vieira, do BOE.
Em 2014 completaremos 30 anos de casados, não tivemos filhos de sangue, mas temos muitos de filhos do coração, não arrisco citar os nomes com medo de esquecer alguém e cometer uma injustiça, mas são filhos queridos e amados que conquistamos ao longo de nossas vidas.
Nossa historia ainda não terminou e com certeza teremos muitos anos pela frente de trabalho, companheirismo, parceria e amor. Entre altos e baixos, ganhos e perdas, como todo casal, uma certeza eu tenho, Deus foi maravilhoso comigo, nasci em uma família maravilhosa, honrada, digna, meus valores aprendi com meus pais, tenho um ótimo marido, um irmão amigo, uma cunhada-irmã e os sobrinhos que são os meus maiores tesouros.
Minha Bisavó materna foi cabo da BM na revolução de 1923, por seu feito, em que salvou os animais, da tropa, de serem tomados pelos rebeldes. O Coronel Delfino comandante do 10º Corpo e o Major Pedro, incluíram-na oficialmente a força no posto de cabo, com direito a fardamento e soldo de 70 réis, após 5 anos de serviço pede baixa e retorna a sua cidade natal Bagé. (Matéria do jornal Zero Hora do dia 28.06.1973)
Minha formação acadêmica está assentada em dois cursos técnicos. Contabilidade e administração no colégio Dom Diogo de Souza. Na época em que morava na cidade baixa frequentei muitos cursos no Senac, datilografia, telefonia, recepção, atendimento ao público, arquivo e outros.
Sou colorada, apaixonada por meu time.
Meu hobby sempre foi ler, ler e ler. Sou daquelas pessoas que lê, até, manual de instrução e também bula de remédio. Gosto das músicas dos anos 70, 80, MPB, mas me considero eclética. Entendo que o Emílio Santiago é um dos melhores cantores que já existiu. E minha musica especial é Fascinação com Elis Regina. Com ela entrei na igreja ao som dela foi meu casamento com o Juarez. Gosto dos livros do Sidney Sheldon, Harold Robins, Chico Xavier e muitos outros,
Minha mensagem é de que os jovens não abandonassem o hábito da leitura, que os pais, professores, parentes, amigos que tenham crianças, ensinasse-os a gostar da leitura, é fato comprovado que a leitura melhora o vocabulário, o aprendizado, aumenta o conhecimento. A experiência de viajar a lugares distantes a cada pagina da historia que lemos é algo indescritível e todo ser humano deveria experimentar.

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Publicado por em jan 22 2014. Arquivado em 2. Não policiais, HISTÓRIAS DE VIDA, Jorn 221. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Comentários e pings estão desabilitados.

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