A socióloga-brigadiana Maria Caetana Pedroso

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Belo exemplo da série de brigadianos sem farda existentes na história da corporação

Resumo autobiográfico
Sou a última de sete filhos que João Marcellino Pedroso e Maria Haydée Pedroso trouxeram ao mundo. Ele, topógrafo do DAER, ela do lar.
Nasci em 08/11/1950 em Porto Alegre. Minha infância transcorreu alegre numa pequena rua do bairro Partenon chamada de “Rua Fátima”. Meus irmãos nasceram em cidades do interior do Estado. Cursei o ensino básico na escola pública Apeles Porto Alegre, no mesmo bairro, naquela época localizada na Av. Bento Gonçalves. No antigo primário tinha preferência pelo canto e pela dança.
Na adolescência adorava dançar e participava de muitas festas dançantes com concurso de danças. Também participei de festivais com grupos de música popular no antigo Araújo Viana. Freqüentei o 2º grau no Colégio Cruzeiro do Sul no bairro Teresópolis no curso normal (hoje chamado magistério), especializando-me em educação pré-escolar na ASREP (Associação Gaúcha de Educação Pré-Primária), ingresso em 1971. Na universidade optei pelo curso de Ciências Sociais, bacharelado e licenciatura plena na UFRGS.
Em 1980 ingressei na Brigada Militar, já socióloga, mas para ser professora na Casa da Criança da BM, onde permaneci por dois anos, quando a chefia da Seção de Assistência Social me incluiu no quadro de técnicos da equipe. Na época a pré-escola estava subordinada ao Serviço Social da BM.
Lá vim a atuar na comunidade, auxiliando na criação de Associação de Bairro São Miguel na comunidade de Policiais Militares.
No pátio da SAS, funcionava um posto avançado da Unidade de Saúde São José do Murialdo, tendo eu sido destinada pela minha chefia para participar do treinamento supervisão juntamente com a equipe do posto no Programa de Alcoolismo que na época estava em desenvolvimento. As equipes integradas trabalharam neste programa.
Foram criados grupos de aconselhamento aos portadores da doença (alcoolismo) e seus familiares.
Desse período é que surgiu meu interesse por esta questão na corporação. Daí em diante passei a estudar profundamente esta pro-blemática. Busquei então o curso de especia-lização lato sensu de Serviço Social de família na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA).
Atuei então na pré-escola e no Programa de Alcoolismo na SAS. No ano de 1994 fui transferida para o Instituto de Pesquisas da Brigada Militar, recém criado (IPBM).
Entre outras atividades pertinentes àquele Instituto, decidi avançar pelos caminhos do alcoolismo, pois sabia da gravidade do problema na corporação, conforme experiência vivida na SAS. E em 1996 realizei o Projeto de Pesquisa sobre Prevalência de Alcoolismo na BM.
Em 1999 concluí o projeto, apresentando-o aos Oficiais Médicos e Comandantes de Unidade. Fui também neste período buscar o curso de Terapeutas de família com duração de três anos e mais um ano de especialização em famílias com problemas de álcool e outras drogas.

Os dados da pesquisa reforçaram o meu desejo em trabalhar com estas questões, e assim permaneci até 2011 quando alcancei a aposentadoria por tempo de serviço.
Pude sempre contar com os Comandantes de Unidades e com a Justiça Militar do Estado que entenderam e apoiaram a minha proposta. Na retaguarda havia sempre médicos que acompanhavam clinicamente os policiais participantes dos grupos de acordo suas respectivas especialidades.
Realizei palestras sobre o tema em todas as Unidades da capital e em algumas do interior durante todos esses anos.

As atividades se desenvolveram no IPBM, no DE, na DS e finalmente de volta a SAS, onde encerrei o Programa.
Penso ter deixado minha contribuição nessa passagem pela BM. Muitas famílias se reestruturaram, muitos policiais que antes eram excluídos retornaram à ativa recuperados, pois resgatados na sua condição de pais, profissionais e cidadãos.
Sou grata por ter sido entendida nesta trajetória e lembrada sempre com muita saudade das pessoas do Cel Jorge de Barros Guerra, o 1º incentivador Vanderlei Pinheiro, Jorge Luis Gregis e o Cel Marcelo Madeira Quadros.
Como lição de vida trago a consciência de ter realizado uma tarefa que embora polêmica, auxiliou muitas pessoas.
Tenho duas filhas, uma delas é Mestre em Serviço Social e professora em uma Universidade no RJ e a outra é enfermeira e trabalha em um grande hospital de Porto Alegre.
O estudo, as leituras, a busca pelo conhecimento sempre esteve presente entre nós. A BM me auxiliou na construção desta pequena família, pois embora divorciada pude, com todas as dificuldades, formar minhas filhas.
Hoje aposentada, dedico-me à família e a trabalhos voluntários. Gosto de ouvir músicas, assistir filmes, ler, viajar e navegar na internet. Tenho a certeza do dever cumprido com a corporação e com minha família e venho aceitando serenamente o passar dos anos e vivendo com muito gosto pela vida.
“Amigo Pinheiro” – Aqui estão as fotos que tenho sobre a minhas atividades com grupos na BM. Na última em que estou de branco é de uma de minhas formaturas .Não estou togada por ter sido em gabinete .Observe que em duas das fotos está o Cel.Barlem e sua esposa. Mandei as anteriores porque quis complementar o texto sobre as viagens, agora na aposentadoria e fiz-lhe um agradecimento pois sem o seu convite para ir para o IPBM , eu não teria conseguido realizar este trabalho todo. Não tenho outras fotos de minhas atividades profissionais. Se por acaso tiver alguma foto minha junto ao IPBM pode usá-la. Realizei ainda na corporação outros trabalhos que não citei no texto porque achei que ficaria muito longo. Trabalhei com outros técnicos na Secretaria de Justiça e Segurança, em orientações aos cursos na Academia e nos últimos dois anos desenvolvi o programa de Promoção de Resiliência a grupos de alunos do Prosepa. Espero receber um exemplar do jornal, quando for publicado. .Grata pela lembrança, um grande abraço.

Maria Caetana Pedroso.

Sem Título-2

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Publicado por em abr 8 2013. Arquivado em 2. Não policiais, HISTÓRIAS DE VIDA. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Comentários e pings estão desabilitados.

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