1972 – 1986 – Prolegômenos

Apesp – um dos movimentos culturais brigadiano

Ao início do ano de 1972, um grupo de aproximadamente quinze oficiais da Brigada Militar, por iniciativa do então tenente, hoje coronel da reserva, Santos Roberto Rocha, que servia na Academia, promoveram reuniões na sede do Clube Farrapos, no bairro Jardim do Salso,em Porto Alegre.

Era propósito das reuniões discutirem questões técnicas e profissionais de polícia militar, das atividades da Brigada Militar, e sugerirem novas formulações de procedimentos. Aconteceram, somente, três reuniões, em três sábados consecutivos, com trabalhos que se desenrolaram das 10hs até, aproximadamente, 13hs.

O primeiro sábado de reunião destinou-se as apresentações; depoimentos de incondicional amor institucional; motivações da participação e validade da iniciativa; e delineamento das questões mais prementes a serem tratadas. Houve um verdadeiro diagnóstico do momento histórico vivido na Brigada Militar e elaborado, sem censura, por idealistas interessados em garantir um espaço funcional, que há poucos anos se definirá constitucionalmente. Os organizadores distribuíram tarefas de pesquisa sobre questões institucionais para serem relatadas no sábado seguinte.

O segundo sábado dá continuidade ao diagnóstico iniciado na semana anterior. Porém no decorrer dos temas relatados começam a ocorrer críticas e narrativas de situações tidas como aéticas e imputadas para alguns administradores da corporação. Os organizadores, conscientes do momento político em que vivíam – em plena vigência no Brasil de atos institucionais, fez ponderações de reservas sobre as questões mais sensíveis. Algumas destas se referiam ao comando da época e outros recentes. O clima ficou pesado. Entre os participantes havia oficiais da comunidade de informações e todos sabiam pesar aquele tipo de situação e seus riscos. Houve consternação e os organizadores solicitaram para alguns a complementação nas pesquisas que haviam sido elaboradas. Servia para parecer não estarem sendo encerrados os trabalhos do propósito do grupo.

No sábado seguinte – terceiro dia desta trilogia fatídica, compareceram não mais que cinco ou seis oficiais. Estava formalmente encerrada a tentativa de um grupo que começasse a discutir o desenvolvimento técnico profissional da Brigada Militar, fora da visão de comando. Dos presentes, recordo o compromisso assumido entre os então tenentes Roberto e Pinheiro, de por onde fossem darem continuidade, de uma forma ou de outra, dos princípios que nortearam a formação do Grupo.

Pois em fevereiro de 1982, exatamente dez anos após, o então Capitão Roberto funda na APM – Academia de Polícia Militar, a “Associação para pesquisas Unidade” que vai expressar-se editando a Revista, hoje tida como instituição da Brigada Militar, de nome Unidade. A associação foi criada, apoiada por um grupo de tenentes, na forma de entidade civil, sem fins lucrativos, mas composta exclusivamente de militares estaduais. Seguem exatamente os passos dados pelos “jovens turcos” do Exército Brasileiro, no início do século passado. A primeira edição da revista circula em 00/00/00. O veículo é assumido de pronto pela corporação, quer pela sobriedade dos conteúdos, quer pela apresentação, cujas capas estão fundadas em temas históricos ali abordados. Foi um período difícil com muito pouco apoio institucional e com isso as edições eram esparsas, apesar de  ter um trimestralidade definida.

Por volta de junho de 1984, o grupo da Revista Unidade, capitaneado pelo Cel Roberto, realiza no Clube Farrapos um encontro sobre história da Brigada Militar, que colhe depoimentos de Coronéis antigos participantes das refregas e escaramuças das últimas revoluções. Esta iniciativa vai determinar que oficiais se unam para criar o Centro Cívico e Cultural Major Miguel Pereira, destinado a história da Brigada Militar. Um grupo de tenentes, que serviam na APM com o Cap Roberto, da turma 74, é fundamental a esse processo. Dentre eles destacam-se o Dr. Francisco De Paula, atualmente, Promotor de Justiçaem Santa Catarina, o Cel Moacir de Almeida Simões, na reserva advogado e historiador, e o atual subcomandante-geral da BM, Cel Reuvaldo Vasconcellos. Eles impulsionarem a Revista Unidade e outras iniciativas culturais.

Em julho de 1986, o então Capitão Pinheiro consegue ser apoiado por 37 policiais militares, entre oficiais e praças, pessoal e ativo e da reserva, para criar a Associação Pró-Editoração à Segurança Pública, mais conhecida por sua sigla APESP. Entidade esta destinada o fomento e à produção de obras técnicas e literárias do pessoal da Brigada Militar. A entidade era para se denominar APEBM, só assim não se registrando, por que o comando da BM da época não permitiu. Dentre os fundadores da Apesp estão o emérito historiador Cel Hélio Moro Mariante, o ativista clutural PM Cel Jerônimo Carlos Santos Braga, ex-comandante; o grande poeta gaúcho e brigadiano Cel José Hilário Retamozo; e o esmerado Major Pércio Brasil Álvares, atual presidente, que desde aspirante atua na entidade tendo sido um secretário ad eternum.

Inicia-se um ciclo de grande quantidade de livros editados por brigadianos. É uma produção autônoma desvinculada do canal de comando, mas perfeitamente entrosada com os princípios que melhor servem para a corporação. Ë a comissão dos festejos do sesquicentenário da Revolução Farroupilha, em 1987, que através do Cel Retamozo produziu mais de quarenta obras históricas, literárias e técnicas. Era a preparação de um terreno fértil para que a Apesp viesse a desenvolver seu trabalho posteriormente. Essa Comissão foi sucedida por uma Comissão Editorial da Brigada Militar – CeditBM, que conviveu com a Apesp e foi substituída totalmente em 1992, quando é criada a empresa Polost Editora para ser o braço operacional da associação.

Mas antes desse desenvolvimento livreiro autônomo o campo do conhecimento brigadiano tem seu auge em 1988 quando é criado, por iniciativa do então Capitão Pinheiro, o Instituto de Pesquisa da Brigada Militar – IPBM. Primeiro órgão de sua espécie no Brasil, hoje ainda é modelar às demais instituições policiais, como referência na pesquisa à atividade da segurança pública afeta às instituições militares estaduais. O Instituto propiciou uma releitura para procedimentos técnicos, produção técnica e principalmente, implantou a linguagem de pesquisa nos cursos de aperfeiçoamento e especialização da Brigada Militar.

Assim podemos expressar uma cronologia das ações concretas de um movimento cultural que atuou sobre a Brigada Militar ao findar do século passado. Em1972 areunião de tenentes; em1982 afundação da Revista Unidade; em1984 afundação do Centro Cívico Miguel Pereira; em1986 afundação da Apesp; em 1988 tem a criação do IPBM (Instituto de Pesquisa da Brigada Militar); em1992 acriação da Pólost Editora – especializada em segurança pública; e em1994 acriação do jornal Correio Brigadiano.

Vanderlei Martins Pinheiro – TenCel

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